A Era da Guerra da Disney

No ano de 1942, depois de grandes sucessos como “Branca de Neve” e “Dumbo”, a “Era de Ouro” marcou a história do cinema. Infelizmente, nem todo marco é bom, e, na “Era da Guerra”, muita coisa mudou.

     Essa era é contada de 1942 a 1949, talvez muitos nem saibam de alguns filmes que vão ser citados, o que é compreensível, já que essa era não fez muito sucesso. E, como o próprio nome diz, nesse período o mundo estava em guerra. 

  A Segunda Guerra Mundial teve um impacto direto na Disney, que na época ainda não estava bem financeiramente. Vários países não estavam recebendo filmes americanos, prejudicando os lançamentos.  Além disso, vários funcionários foram convocados para servir na guerra e parte dos estúdios da Disney viraram bases militares.

   E, com o que sobrou dos estúdios, o governo dos Estados Unidos começou a encomendar animações da empresa, com o objetivo de fazer propagandas. A partir disso, foram lançados vários curtas, entre eles o mais famoso: o “der Fuehrer’s Face”( A Face do Fuehrer). A animação ficou tão conhecida que ganhou o Oscar de “Melhor Curta de Animação” em 1942. No desenho, mostra o Pato Donald trabalhando numa empresa Nazista para, no final, ele descobrir que tudo não passava de um pesadelo e ele, assim, percebe o quão bom é ser americano. 

    Em consequência, pelos curtas serem bancados pelo governo, eles deveriam ter o menor custo possível e utilizar as técnicas mais básicas de animação. Então todos os avanços utilizados e desenvolvidos na Era de Ouro foram deixados de lado.

  Essa era também foi chamada de “a Era dos filmes pacote”, pois, com o foco da Disney em curtas por causa do governo, eles não tinham tempo e dinheiro para trabalhar num longa-metragem, então a empresa decidiu juntar um certo número de curtas para fazer um filme. Esse tipo de estrutura continuou até o final da era, em 1949. 

  Vale ressaltar que os desenhos com o Mickey Mouse foram interrompidos para que sua imagem não se misturasse com as propagandas anti-guerra. Mas outros personagens como o Pateta, o Donald e o Pluto foram utilizados.

   Como mencionado antes, vários países não estavam recebendo os filmes, como consequência, o mercado latinoamericano começou a chamar muita atenção dos Estados Unidos pelo fato de ser um dos poucos lugares que estavam recebendo os filmes.

   Então, com o apoio do governo, o Walt Disney visitou o Peru, o Chile, a Argentina e o Brasil, para criar um conteúdo que aproximasse mais as Américas. Assim, nasceu o primeiro filme dessa era.

 

 Alô amigos (1942) 

   O filme “Alô amigos” mistura live-action com animação. O longa contém quatro segmentos (curtas).

Primeiro → mostra o Pato Donald vivendo um turista americano visitando o lago Titicaca no Peru e se metendo em várias confusões com os moradores.

Segundo → conta a história do avião Pedro indo fazer sua primeira viagem para buscar correspondência em Mendoza, Argentina. Ele sai do Chile e vive grandes aventuras.

Terceiro → é o Pateta vivendo um cowboy que vai misteriosamente conhecendo os pampas argentinos.

Quarto →  o último  segmento é o do Zé Carioca. Ele faz um tour pela América do Sul, mostrando várias coisas legais para o Pato Donald.

Você já foi à Bahia (1944) 

   Contendo sete segmentos, o filme parte do mesmo “princípio”: o Pato Donald recebe presentes de seus amigos da América Latina e cada presente é uma história.

Primeiro → é sobre um pinguim chamado Pablo que se cansou do frio e decidiu se mudar para um lugar mais quente.

Segundo → conta a história de um menino chamado Gauchinho que vive uma aventura na Argentina com o seu jumento voador.

Terceiro → é sobre a Bahia, o Zé Carioca convida o Donald para conhecer o estado, e o pato  chega a se apaixonar pela cantora Aurora Miranda (que aparece no filme interagindo com a animação).

Quarto → “Las Posadas” é o nome do quarto segmento, que conta a história de quatro crianças mexicanas que acabam se metendo em confusões para celebrar o Natal.

Quinto → esse curta mostra a viagem onde o Pato Donald, o Zé Carioca e o Panchito Pistoleiro conhecem e se apaixonam pelas praias do México.

Sexto → mostra a cidade do México sendo background para a canção “Solamente una vez”, na voz da cantora Dora Luz.

Sétimo → o último segmento é o Donald dançando com Carmen Molina, uma garota mexicana, misturando live-action e animação outra vez. 

   O longa foi muito bem aceito pela crítica e arrecadou mais de 3.355 milhões de dólares ao redor do mundo.

Música, Maestro (1946)  

 Continuando na proposta dos filmes anteriores, esse longa contém dez segmentos.

Primeiro → “A balada dos camponeses” conta a história de um casal que se apaixona, porém são de famílias rivais que moram de lados opostos do rio.

Segundo → “A canção do lago azul”, foi um curta  originalmente feito para fazer parte do filme “Fantasia”. Nele, vemos duas garças voando pela noite ao som de “Blue Bayou.

Terceiro →  “O lápis musical”  nos conta sobre a vida dos adolescentes daquela época ao som de Jazz.

Quarto → “Recital do amor”, que é só uma balada que fala sobre amor.

Quinto → Em “No ritmo do Beisebol”, Jeremy Coluna recita um poema sobre um jogador de beisebol que achava que era o centro do mundo.

Sexto → “Sinfonia a dois” mostra um casal dançando ballet.

Sétimo → “Pedro e o lobo” conta a história de um garotinho russo que, junto com seu gato, pato e pássaro saem para caçar o lobo mau.

Oitavo → “A dança dos instrumentos”, interpretados em formas humanas, os instrumentos dançam ao som de música clássica.

Nono → Em “O casal de chapéus”, os chapéus de uma vitrine de loja se apaixonam, e um deles entra numa aventura para encontrar sua amada, após um dos chapéus ser vendido.

Décimo → O último e mais famoso curta do filme: “A Baleia Willy”. Willy é uma baleia super talentosa que sonha em cantar ópera para os humanos.     

  Como “Você já foi à Bahia”, “Música, Maestro” também foi bem de bilheteria e fez sucesso, arrecadando mais de 3 milhões de dólares ao redor do mundo.

Como é bom se divertir (1947)

  Esse filme contém apenas dois segmentos, ambos eram projetos de longa-metragens antes da “Era da Guerra”, mas, no final, acabaram sendo adaptados para dois curtas. 

 Primeiro → “Bongo” conta a história de um urso de circo que sonha em viver livre na floresta. Em um certo momento, ele consegue escapar, porém agora ele tem que aprender a lidar com as dificuldades dessa nova vida.

 Segundo → “Mickey e o pé de feijão”  é uma adaptação da história clássica, criada por Benjamin Tabart, do João e o pé de feijão.

Tempo de Melodia (1948)

   Como “Você já foi à Bahia”, esse filme também contém sete segmentos.

Primeiro → “Era uma vez no inverno” conta a história de um casal que sai para patinar no gelo e, depois de uma briga, o gelo se parte e o garoto consegue resgatar a garota com a ajuda dos animais.

Segundo → “Dança do Zangão”, que mostra o Zangão fugindo das flores que se transformam em instrumentos.

Terceiro →  “Johnny, semente de maçã” mostra a jornada do Johnny em plantar macieiras por todo Estados Unidos.

Quarto → “Rebocador Apitinho”, que mostra um rebocador que sonha em ser igual ao seu pai, mas acaba se metendo em várias confusões no processo.

Quinto → “Árvores”, as animações vão mudando conforme um poema lírico é recitado sobre as estações do ano;

Sexto → “A culpa é do Samba” traz de volta o Zé Carioca. Ele e o Pato Donald se divertem e se jogam no samba.

Sétimo → “Pecos Bill” reconta a história de um cowboy americano chamado Pecos Bill.

O casal de “Era uma vez no inverno”

 

As aventuras de Ichabod e Sr. Sapo (1949)

  Igual ao “Como é bom se divertir”, este longa traz dois curtas que originalmente eram para ser dois longa-metragens.

Primeiro → “As aventuras do senhor Toad” conta a história do J.T Sapo, um aventureiro que está a beira da falência e, por conta de suas aventuras extravagantes, acaba indo preso e agora precisa arranjar um jeito de sair dessa.

Segundo → Baseada na lenda do Cavaleiro Sem Cabeça, o Ichabod é um professor que, ao chegar na cidade, se apaixona pela jovem Catarina, e imediatamente faz um inimigo, que sempre anda a cavalo e também é apaixonado pela moça.   

      Esse modelo de filme não era o que o Walt Disney queria, consegue-se notar isso claramente na “Era de Ouro”, mas, para o momento, era o que cabia no orçamento. E mesmo com a Segunda Guerra Mundial tendo acabado em 1945, a Disney demoraria mais um pouco para mudar. Em 1949, as coisas já estavam voltando ao normal, a base militar no estúdio foi desativada e os animadores que foram servir na guerra finalmente voltaram. 

  A Walt Disney Company finalmente estava pronta para uma nova “era”, sem filmes pacote, sem curtas aleatórios. Em 1950, se inicia a “Era de Prata”, mas isso é assunto para outra matéria. 

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