Entrevista com a cantora Jumorelo: Destaque do indie nacional

Jumorelo

A cena independente brasileira vive um momento de efervescência criativa  e alguns nomes surgem não apenas como promessa, mas como reflexo sensível de uma geração que escreve, sente e canta suas próprias histórias. Entre esses nomes, jumorelo desponta como uma das artistas mais interessantes do indie pop e da música alternativa nacional.

Natural de São Paulo, mais especificamente de Santo André, no ABC Paulista, jumorelo  nome artístico de Julia Morelo  vem conquistando espaço com uma sonoridade que mistura lirismo, intimismo e experimentação, dialogando com referências clássicas da MPB e com a estética contemporânea do indie brasileiro.

A cantora concedeu uma entrevista ao Sinfonexp, programa musical do NEXP Podcast, compartilhando suas histórias, bastidores, início de carreira e isnpirações para seu novo EP “Me Chame Como Quiser” lançado em 2025.

O episódio está disponível! Ouça agora mesmo em sua plataforma de áudio Amazon Music | Apple Podcast | Deezer e muito mais clicando aqui. O EP está disponível na versão vídeo exclusivamente no Spotify.

Jumorelo acaso ao violão

A trajetória de jumorelo começa de forma quase cinematográfica. O violão que hoje conduz suas composições não foi comprado para ela, mas para a irmã, que é canhota. O instrumento acabou esquecido, com as cordas montadas de forma inadequada, até que Julia o pegou “emprestado” e decidiu aprender sozinha.

O que era um objeto encostado virou ferramenta de expressão. A partir dali, a música deixou de ser apenas curiosidade e passou a ocupar um espaço central em sua vida, servindo como canal para transformar sentimentos, dúvidas e memórias em canções.

Definir o som de jumorelo passa por entender suas influências. Seu trabalho carrega o lirismo da MPB, muito presente em artistas como Cássia Eller, Tulipa Ruiz e ecos do Clube da Esquina, mas também absorve o apuro técnico e a liberdade estética do indie rock e do pop alternativo.

Há um equilíbrio claro entre violões orgânicos, letras confessionais e texturas modernas, criando um clima íntimo, às vezes melancólico, às vezes sensual, mas sempre honesto. Não há exageros  a força está justamente na sutileza.

“Me Chame Como Quiser”: um EP sobre afetos e muito mais!

Lançado em novembro de 2025, o EP “Me Chame Como Quiser” marca oficialmente a estreia de jumorelo no cenário independente. O trabalho é um mergulho profundo em relacionamentos passados, nas ambiguidades do amor e na complexidade dos sentimentos que ficam quando algo termina, mas não se encerra completamente.

Com seis faixas, o EP constrói uma narrativa emocional que vai da introspecção à aceitação, passando por desejo, frustração e amadurecimento. Canções como “Tralha” e “Algo Me Trouxe Aqui” chamam atenção pela atmosfera envolvente, enquanto “Você Não Sabe”, seu single de estreia, traduz a dor da espera e da falta de reciprocidade.

O encerramento fica por conta de “Tatuagens Escondidas”, faixa que conta com participação de Pedro Lanches e simboliza o reconhecimento do fim de um ciclo — sem dramatizações excessivas, mas com maturidade emocional.

Uma artista para acompanhar de perto

Mais do que um nome promissor, jumorelo representa uma geração que entende a música como espaço de vulnerabilidade e expressão real. Sua obra não busca respostas fáceis, mas convida o ouvinte a sentir junto, refletir e, muitas vezes, se reconhecer nas entrelinhas.

Em um cenário cada vez mais saturado, artistas que conseguem criar conexão genuína se destacam  e jumorelo faz isso com naturalidade. Para quem acompanha a cena indie brasileira, é um nome que definitivamente merece atenção agora e nos próximos passos de sua trajetória.

Sobre Klaus Simões 507 artigos
Jornalista pela FIAM, Técnico em Comunicação Visual pela Etec de São Paulo, especialista em coberturas de eventos, esportivas e musicais, geek e alternativo. Responsável pelo NEXP Podcast.