Crítica de Stranger Things 5ª temporada completa

Crítica Stranger Things 5 temporada

Stranger Things é a maior série e o maior produto da Netflix. A primeira temporada trazia elementos de drama de uma mãe atrás de um filho, um suspense, com carisma e conforto. A última faz você se perguntar o que aconteceu? Baseada no jogo de RPG Dungeons & Dragons, um resgate dos anos 80 e um estilo cultural. 

Não era para ter esse tamanho, mas o sucesso foi imenso e este acontecimento é responsável por estar tão diferente. A quinta temporada foi divulgada em partes, sendo a última da série. A ideia de soltar aos poucos foi para as pessoas entenderem a história, mas não existe história na trama.

A sensação após terminar os episódios é se perguntar a razão de estar feio, estranho e ruim. São três cenários, sendo o mundo do Vecna, cidade e mundo invertido. Tudo extremamente plastificado e cheio de fundo verde, efeitos, sem profundidade, perdendo a idealização da cidade pequena e em um looping superficial.

A paleta de cores das temporadas anteriores que remetem aos anos 80 parece que ficaram em apenas em segundo plano, assim como trilha sonora e referências ao momento em que a série é passada. 

Os irmãos Duffer se renderam ao Woke e deixaram completamente a fórmula que estava dando certo para manter a audiência e manter fidelidade do público que mudou. Os Russos eram os vilões, não pode mais, os personagens escondidos receberam push. Escrita para quem assistiu no celular, com três anos de espera, poderia ter feito cenas mais bem editadas e com apelo mais emocional ao início.

Stranger Things e o retcon

Retcon é quando uma obra muda, ajusta ou reinterpreta fatos do passado da própria história, mesmo que esses fatos já tenham sido mostrados ou estabelecidos antes. Ou simplesmente tentar recriar um ponto não compartilhado para explicar algo. Utilizado para emplacar de forma brutalmente forçada um personagem, quem? Ele mesmo.

Will

Incrivelmente Will ganha uma importância maior do que a própria personagem principal, Onze, onde ganha poderes místicos após revelar que é homosexual, uma cena que parece obrigatória para agradar a cultura Woke e simplesmente gastar tempo. Na primeira temporada, a mãe de Will diz que ele é sensível em uma conversa com Hopper, todos já esperavam, mas forçar a barra para ter poderes apenas porque Vecna usaria a sexualidade de Will é desnecessária. 

O fato de Will ser gay não é problema, mas a maneira como foi utilizada para diálogos de plot twist, não tem conexão com a história e nem personagens. O mundo acabando, perto do confronto, o momento da revelação é fraco. Isto poderia ter sido resolvido em 2 minutos antes de tudo acontecer na temporada. E usar um segredo dele ter sido tragicamente preso, sendo um menino que não merecia passar o que passou, podendo ser fortalecido no drama e não na identidade. 

Sempre tive problemas com o Will. O crush no Mike é entendível, mas muitos na internet gostariam que eles ficassem juntos, ignorando a história de amor de Onze e Mike jogada fora e sem nenhum respeito. Mike despertou a sexualidade do Will, até aí tudo bem, mas Mike teria o direito de se espantar que o Will não era mais amigo dele. 

Will tinha potencial para ser o melhor personagem, mas o espiral da identidade dele toma lugar de protagonista, não é explicado sua real importância além deste ponto e isso destrói a série.

Robin: Para que serve?

Apenas para informar no começo da série que a cidade foi tomada por militares e eles arrumaram as rachaduras e encontraram um portal. O restante para nada além de ajudar o Will a descobrir a sexualidade. A personagem poderia ter um papel melhor, mas se morresse na trama, nem seria emocionante.

Episódio 7, temporada 2

É considerado que o sétimo episódio da segunda temporada de Stranger Things é o pior da série. Fãs, críticos e os próprios atores já falaram que é ruim e chato, o pior de todos! Onde a “Oito” irmã da Onze aparece, uma personagem chata e escrita de forma duvidosa. Incrivelmente a linha precisava puxar de volta alguém para se odiar na temporada. A inútil e insuportável “Oito” voltou, desnecessariamente, para prejudicar a trama e criar mais uma história, como se já não estivesse confuso e desinteressante. 

Sem dúvida é a pior personagem da última temporada.

Outros personagens de Stranger Things

Max morreu, mas está bem, teve os olhos arrancados, mas enxerga, nada explicado mas tudo se resolve, mas ainda é muito boa na temporada. Hooper, que era um grande personagem, foi jogado no lixo e por ser muito masculino e protetor, o colocou de lado. Joyce sempre foi extremamente chata e atrapalha mais do que ajuda e isso continua.  Lucas, quem? Aparece pouco e está fora de foco. 

O que funciona em Stranger Things 5

Nancy e sua raiva e sua irmã Holly Wheeler, sem dúvida, a melhor personagem em atuação e história da temporada. Steve e Dustin podem incomodar um pouco com suas brigas, mas é a única demonstração sincera de amizade, a base da série durante as duas primeiras temporadas. Natalia Dyer (Nancy) é uma das melhores personagens de toda a série, desde a primeira temporada, mas ela deveria terminar com Steve e não com o encosto ambulante que ela namora. 

Derek Turnbow é um personagem odiável, mas depois de tanto tempo de tela de alguns personagens, o “gordinho” vira uma sensação e cativa como membro importante da temporada.

Erros em Stranger Things 5

A família de Tina ainda está desacordada? Pois nada foi explicado, a namorada do Justin, o maconheiro amigo de Jonathan que ficou preso na cidade, o exército, a militar chefe, há tantas lacunas que não foram preenchidas. 

Piadas de cunho sexual sobre órgãos são tão forçadas a ponto de escondidas e ninguém entender de primeira, se a série não estivesse tão desgastada por diversos fatores, poderia ter mais piadas e ser mais tragicômica. 

A personagem principal serve afinal para qual função na história? Aquele início do treinamento, a mulher caída que ninguém sabe quem é, atingida pelo “kriptonita” de Onze, sendo que o mesmo não afetou Hooper, é feito nas coxas. A personagem é tão sucateada que era melhor ser só uma lembrança.

Episódio Final de Stranger Things 5ª Temporada

Entrando apenas no oitavo episódio e na resolução da série. O último episódio aparenta ter sido feito por outra pessoa, não a mesma ou as mesmas que criaram toda a temporada, pois é muito mais fiel à Stranger Things em sua origem do que todos os episódios lançados. 

Os erros são evidentes, mas durante a temporada inteira estivemos sobre diversos momentos de incoerências. Os pais da Tina ainda estão dormindo sedados? Onde estavam os morcegos, Demogorgons e afins que estavam no mundo invertido? Um devorador de mentes, vilão supremo e seu sub-vilão “Vecna” foram derrotados com uma luta fajuta e patética, sem confronto e combate, sem nada cativante e emocionante. Muitos vácuos estragaram a obra inteira? Talvez. 

Mais pessoas deveriam ter morrido, não o Steve, mas os Duffers são extremamente covardes! Abaixaram a cabeça para algo maior do que eles, correram e entregaram nada e prometeram tudo. 

A creche do Henry traz uma memória do que foi a série, as crianças, alívios cômicos, diversos núcleos e muitas histórias cruzando a trama principal

O que funciona em Stranger Things?

A morte de “Onze” se sacrificando para salvar todos em Hawkins mostra que em algum momento, todos do experimento inicial, teriam que morrer. E para acabar a perseguição contra ela, sua família e seus amigos.

A cabeça do homem na caverna que explode é a cena que faz você pensar, até que enfim algo mais interessante, cenas chocantes e impactantes apareceram apenas no episódio final.

O Mike contando a história e deixando aberta a interpretação dele do que aconteceu é um gatilho positivo para quem não gostou do final, mas sabemos a verdade, Onze morreu e fim. Todos ainda permanecem juntos, encerraram a jornada no jogo e guardam memórias boas sobre tudo que vivenciaram.

Apesar de tantas teorias que a internet criou, canais no youtube e pessoas que acham mais do que passou na tela, nenhuma delas aconteceu e isso é muito bom. Stranger Things em seu final parece um pouco com Velozes & Furiosos, que antes era corrida e emoção e no final são carros voadores, no gelo e no fogo, fantasia e absurdos. 

Stranger Things entregou entretenimento até onde pode, mas se perdeu em tempo, resolução, qualidade, cultura woke e apagamento de personagens. O sentimento é bom de ter encerrado, estressando muita gente e conquistando outros, mas fez todos que assistiram, gostando ou não, fazer parte disso tudo e nunca vão esquecer cada um dos personagens.

Sobre Klaus Simões 504 artigos
Jornalista pela FIAM, Técnico em Comunicação Visual pela Etec de São Paulo, especialista em coberturas de eventos, esportivas e musicais, geek e alternativo. Responsável pelo NEXP Podcast.