Visitamos a Comic Market Brasil: Vale a pena?

A Comic Market Brasil é um evento voltado para fortalecer o mercado de quadrinhos brasileiros. A proposta é reunir artistas, editoras, empresas e profissionais da área em um espaço para aprender, fazer negócios, trocar experiências e criar novas oportunidades.

Com foco em educação profissional, empreendedorismo e comércio, o evento busca ajudar a transformar ideias em projetos, parcerias e novas possibilidades para quem faz parte do universo dos quadrinhos.

O Nexp esteve presente na edição de 2026 para responder a uma pergunta simples: afinal, a Comic Market Brasil vale a pena?

Em resumo, sim. O evento cumpre o que promete e oferece muitas oportunidades para quem gosta de quadrinhos, arte e histórias independentes. Entretanto, também enfrentamos alguns problemas relacionados à organização.

Logo na chegada, já havia uma fila considerável do lado de fora. Informamos à equipe de segurança de que éramos da imprensa e fomos direcionados ao credenciamento.

Ao chegar lá, descobri que meu nome não estava na lista.

Expliquei que estava credenciada e pedi alguns minutos para verificar a situação. Felizmente, eu tinha no meu celular o e-mail enviado pela organização confirmando que o credenciamento havia sido aprovado. 

No entanto, esse e-mail não contava com QR Code ou qualquer outro tipo de identificação que pudesse ser apresentado de forma mais prática.

Mesmo assim, a situação foi resolvida de uma maneira que também chamou a atenção. A responsável simplesmente anotou meu nome e me entregou uma pulseira, explicando que as credenciais ainda não haviam chegado. Não foi solicitado documento de identificação, nem perguntado qual veículo eu representava.

Alguns minutos depois, uma caixa com as credenciais chegou ao local e consegui retirar a minha. Mais uma vez, não foi necessário apresentar o e-mail de confirmação ou qualquer outro documento.

Posteriormente, descobri que as credenciais haviam chegado no local do evento desde de manhã.

Conversando com outro profissional da imprensa, descobrimos que ele sequer havia recebido o e-mail de confirmação do credenciamento. Ele precisou entrar em contato diretamente com a organização para entender o que havia acontecido e, somente após essa comunicação, conseguiu garantir sua credencial, e ao contrário de nós, ele recebeu um QRCode.

Meu parceiro, que chegou ao evento comigo, também não estava na lista. Nesse caso, a equipe anotou nossos nomes e informou a situação no grupo da organização, mas novamente não perguntou qual veículo representamos. Ele também recebeu a credencial, mas não recebeu a pulseira que havia sido entregue a mim no início.

Toda essa situação passou uma sensação de falta de comunicação e organização no credenciamento.

Durante o evento, conversamos com integrantes da equipe e fomos informados de que mais de 27 pessoas que deveriam trabalhar na organização desistiram de última hora. Por causa disso, foi necessário remanejar funcionários e reorganizar a equipe para tentar causar o menor impacto possível.

A situação ajuda a explicar parte dos problemas, mas ainda sentimos falta de uma comunicação mais clara entre os responsáveis.

Os integrantes da organização utilizavam cores diferentes para identificar seus níveis de responsabilidade. A pessoa que me atendeu inicialmente usava a cor vermelha, indicando que ocupava uma posição superior à maioria da equipe. Acima dela estavam os responsáveis identificados pela cor verde.

Por isso, foi ainda mais difícil entender por que ela não conseguiu resolver ou orientar melhor a situação.

Felizmente, tivemos a ajuda do Ader, um dos coordenadores do evento, identificado pela cor verde. Ele foi extremamente atencioso, explicou o que havia acontecido, pediu desculpas pelos inconvenientes e esclareceu a situação envolvendo as desistências de última hora.

Também expliquei a ele o problema com o credenciamento do meu parceiro. Como ele chegaria depois de mim, Ader garantiu que não teríamos novas dificuldades e se colocou à disposição para ajudar.

E foi exatamente o que aconteceu. Mesmo com o nome fora da lista, meu parceiro conseguiu retirar a credencial de forma muito mais rápida e sem novos problemas.

Apesar da frustração inicial, precisamos destacar o trabalho de Ader. Ele foi uma das pessoas que fez a diferença na nossa experiência e merece o reconhecimento pela atenção e disposição em resolver os problemas.

Deixando os problemas de organização de lado, o evento em si foi muito interessante.

A Comic Market Brasil foi dividida pelos quatro andares da faculdade, e, para mim, o térreo e o segundo subsolo foram os melhores espaços. Essas áreas estavam muito bem organizadas e concentravam editoras, lojas, apresentações e, principalmente, artistas independentes.

Esse é justamente um dos principais objetivos da Comic Market: dar espaço para pessoas que criam suas próprias histórias e precisam de oportunidades para apresentar seus trabalhos.

E esse foi, sem dúvida, um dos pontos que mais gostei no evento.

No Brasil, muitas vezes sentimos falta de espaços que realmente valorizem artistas independentes e suas produções. Na Comic Market, era possível encontrar pessoas apresentando seus próprios quadrinhos, histórias e projetos, além de editoras e empresas interessadas nesse mercado.

Também havia espaço para quem queria encontrar outros tipos de produtos, era possível encontrar itens vintage, produtos relacionados a games e outras opções para quem queria explorar o universo geek além dos quadrinhos.

No térreo, por exemplo, havia estandes como o da Pentel e diversas lojas e artistas apresentando materiais, produtos e suas próprias histórias. Também encontramos action figures e outros itens voltados ao público interessado em arte e cultura pop.

O único expositor que, particularmente, não pareceu fazer muito sentido dentro da proposta do evento foi um estande de advocacia. Não há qualquer crítica ao serviço oferecido, mas sua presença destoava um pouco do restante da feira e da temática voltada aos quadrinhos, à arte e à economia criativa.

Outro grande ponto positivo foi o espaço destinado ao aprendizado e ao networking.

A organização também utilizou o auditório e salas de aula da faculdade para realizar palestras e conversas sobre o mercado de quadrinhos. Os temas abordavam desde formas de ingressar na área até maneiras de desenvolver e melhorar o próprio trabalho artístico.

Esse foi um dos aspectos que mais reforçou a proposta da Comic Market Brasil.

O evento não era apenas um lugar para comprar quadrinhos. Era também um espaço para aprender, conhecer profissionais, criar contatos e entender melhor como funciona esse mercado.

Editoras estavam presentes, assim como plataformas online que oferecem alternativas para artistas publicarem seus trabalhos e tornarem suas histórias mais acessíveis ao público.

Para quem sonha em criar uma história em quadrinhos ou já trabalha com arte, esse tipo de oportunidade faz muita diferença.

A área dos artistas também foi um dos grandes destaques, com trabalhos incríveis e muita criatividade. No entanto, tivemos um problema que nos chamou a atenção.

Cheguei ao evento no horário de abertura, às 9h, e alguns artistas ainda não estavam prontos. Algumas mesas estavam sendo montadas enquanto o público já circulava pelo espaço.

Conversando com um integrante da equipe, fomos informados de que os artistas já podiam entrar a partir das 7h para organizar seus espaços. Inclusive, alguns chegaram nesse horário e já estavam completamente preparados quando o evento abriu.

Por isso, senti uma certa falta de organização por parte de alguns expositores.

Particularmente, gosto de visitar a área dos artistas logo no início do evento, justamente porque o espaço ainda está mais vazio. É o melhor momento para conversar, conhecer os trabalhos com calma e entender mais sobre as histórias por trás de cada projeto.

Como o espaço dos artistas era relativamente pequeno, a situação ficava ainda mais complicada. Pessoas tentando circular, conversar e comprar produtos precisavam dividir espaço com quem ainda estava correndo para montar a própria mesa.

Isso acabava prejudicando justamente uma das propostas mais importantes do evento: permitir que o público conhecesse melhor o trabalho desses artistas.

Os dois andares superiores tinham uma proposta um pouco diferente.

Neles estavam concentradas atividades mais voltadas ao mercado de trabalho, ao conhecimento e ao networking. As salas de aula da faculdade foram utilizadas para palestras, encontros e outras atividades relacionadas ao universo dos quadrinhos e à atuação profissional.

As atividades eram interessantes, mas sentimos falta de uma sinalização melhor.

Havia um ponto de apoio identificado com a mensagem “Precisa de ajuda?”, onde os visitantes podiam procurar a equipe caso tivessem dúvidas. Mesmo assim, faltavam informações mais claras indicando o que acontecia em cada espaço, onde as pessoas deveriam ir e quais atividades poderiam encontrar.

Mesmo com a existência de um mapa, acredito que seria importante ter placas e indicações pelos próprios andares. No meu caso, por exemplo, sequer recebi um mapa na chegada.

Essa falta de direcionamento pode ter contribuído para que esses andares tivessem menos visitantes durante o evento. Muitas pessoas poderiam simplesmente não saber quais atividades estavam acontecendo ou o que poderiam encontrar em cada espaço.

Apesar dos problemas que enfrentamos, especialmente com o credenciamento e a sinalização, a resposta continua sendo sim: a Comic Market Brasil vale muito a pena.

Se você gosta de quadrinhos, se interessa por arte, quer conhecer artistas independentes ou sonha em criar e publicar a sua própria história, o evento oferece exatamente esse tipo de oportunidade.

A Comic Market cumpre sua proposta. Há espaços para artistas, palestras para quem quer aprender e melhorar seu trabalho, editoras, empresas e plataformas que ajudam criadores a divulgar seus quadrinhos e alcançar novos públicos.

É um evento que fortalece um mercado que precisa de cada vez mais espaço e apoio no Brasil: o dos artistas independentes e dos criadores de histórias em quadrinhos.

Nossa experiência começou com bastante frustração por causa da organização, mas terminou de forma positiva. A ajuda de Ader, um dos coordenadores, foi fundamental para resolver nossos problemas e garantir que pudéssemos aproveitar o restante do evento.

No fim, saímos com a sensação de que, apesar das falhas, a Comic Market Brasil é um evento com uma proposta muito importante e que realmente entrega aquilo que promete.

Então, se você se interessa por quadrinhos, arte e histórias independentes, vale a pena ficar de olho nas próximas edições.