A 22ª edição do Anime Friends aconteceu entre os dias 2 e 5 de julho de 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo, reunindo milhares de fãs da cultura pop asiática.
Nós estivemos no evento para conferir de perto como foi a experiência. Além de analisar a organização, a estrutura e as atrações, conversamos com visitantes para entender a percepção do público sobre esta edição.
Depois de acompanhar tudo de perto, reunimos os principais acertos e problemas do Anime Friends para responder à pergunta: afinal, vale a pena ir ao evento?
Um dos pontos positivos foi o serviço de transfer até o evento. Apesar da fila ser longa, havia mais de cinco ônibus operando simultaneamente, o que fez com que a espera fosse relativamente rápida e menos cansativa.
Por outro lado, a organização do embarque deixou a desejar.
Apenas duas pessoas estavam responsáveis por orientar o público e, somente depois de mais de 30 minutos de fila, foi informado que existia uma fila preferencial para pessoas com deficiência, idosos, gestantes e famílias com crianças pequenas.
A falta dessa comunicação logo no início gerou confusão e espera desnecessária para quem tinha direito ao atendimento prioritário.
Outro problema foi a sinalização no metrô. Não havia placas indicando o caminho para o transfer do Anime Friends, o que pode dificultar bastante a vida de quem estava indo ao evento pela primeira vez.
Eu só consegui encontrar a saída correta porque já havia participado de outras edições. Inclusive, conversei com uma visitante que não conseguiu localizar o transfer e acabou optando por ir de Uber.
Ao chegar ao Distrito Anhembi, a primeira impressão foi a enorme fila de entrada.
Em diversos momentos, tivemos a sensação de que o evento não estava preparado para receber um grande volume de pessoas. Faltavam funcionários para orientar os visitantes, e era difícil identificar onde começava ou terminava a fila.
A desorganização na entrada também afetou quem precisava estar no evento antes da abertura ao público. Artistas convidados, expositores do Artist Alley e profissionais da imprensa enfrentaram longas filas e atrasos, mesmo tendo credenciamento ou prioridade de acesso.
Como consequência, alguns artistas só conseguiram montar suas mesas por volta das 12h, embora o Anime Friends tivesse início às 10h. O atraso impactou tanto os expositores, que perderam horas de atendimento ao público, quanto os visitantes que esperavam encontrar os estandes funcionando desde a abertura do evento.
No sábado, depois das 16h, o fluxo de pessoas diminuiu e a entrada ficou mais tranquila. Já na quinta-feira, primeiro dia do evento, a movimentação intensa permaneceu durante praticamente todo o dia.
Outro ponto bastante comentado pelos visitantes foi a climatização. Durante os quatro dias em que estivemos no Anime Friends, o ar-condicionado não estava ligado. Ao questionarmos funcionários sobre o motivo, as respostas foram desencontradas: alguns disseram não saber o que havia acontecido, enquanto outros afirmaram que a medida teria sido adotada para economizar energia.
Com a combinação do grande público e da falta de climatização, principalmente na quinta-feira, o calor dentro dos pavilhões tornou-se extremamente desconfortável.
Foi possível presenciar pessoas passando mal em diferentes momentos do evento.
Apesar desses problemas, o Anime Friends também teve muitos acertos. A estrutura dos espaços estava bonita, os estandes eram bem organizados e as editoras tiveram um grande destaque nesta edição.
Empresas como a Panini, a JBC e a NewPOP ofereceram lançamentos, ativações e produtos que atraíram um grande número de visitantes, tornando essa uma das áreas mais movimentadas e interessantes do evento.
Entre os destaques da feira, o estande da Sugoi City foi um dos mais disputados pelo público. O espaço reunia diversas máquinas de gachapon, com prêmios de franquias famosas como Hello Kitty, Kirby, Disney, Pokémon e muitos outros personagens, atraindo visitantes de todas as idades.
Além disso, o evento oferecia atrações para todos os perfis de fãs. Havia atividades, estandes, lojas e experiências capazes de agradar tanto quem gosta de animes e mangás quanto quem acompanha games, cultura pop e colecionáveis.
Outro acerto da organização foi a disposição dos palcos. Mesmo funcionando simultaneamente, eles estavam posicionados a uma distância suficiente para que o som de uma apresentação não interferisse na outra. A programação também foi bastante variada, com conteúdos para diferentes públicos ao longo dos quatro dias de evento.
Os espaços destinados às apresentações eram amplos, bem estruturados e contavam com cadeiras para acomodar o público. De modo geral, os horários das atrações foram cumpridos, e as apresentações conseguiram manter o interesse dos visitantes durante toda a programação.
Os shows das bandas convidadas também merecem destaque. A organização foi eficiente e a qualidade das apresentações impressionou, tornando a experiência envolvente até mesmo para quem não conhecia os artistas. Mais do que os fãs, o público presente pôde aproveitar um verdadeiro espetáculo.
Por último, mas não menos importante, o Artist Alley continua sendo um dos espaços mais queridos do Anime Friends. Sem dúvidas, é uma das áreas mais movimentadas do evento e um verdadeiro ponto de encontro para quem gosta de conhecer e apoiar artistas independentes.
Os artistas presentes entregaram trabalhos incríveis.
Muitos divulgaram seus catálogos nas redes sociais antes do evento, o que permitiu que os visitantes se organizassem com antecedência, montassem uma lista de compras e definissem quais mesas queriam visitar.
No entanto, a numeração das mesas dos artistas poderia ter sido melhor sinalizada.
Poucas possuíam o número visível, o que dificultava encontrar expositores específicos. Eu mesma fiz uma lista dos artistas que queria conhecer, mas não consegui encontrar alguns deles justamente pela falta de identificação e pelo grande fluxo de pessoas circulando pelo espaço.
Outro ponto que merece atenção é a disposição das mesas. Elas ficaram muito próximas umas das outras, deixando os corredores apertados e a circulação difícil, especialmente na quinta-feira, quando o público foi maior.
Somada à ausência de ar-condicionado, essa concentração de pessoas tornou o ambiente bastante quente e desconfortável. Em vários momentos, era preciso ter paciência para conseguir caminhar ou chegar até os estandes desejados.
Apesar dos problemas de organização nas filas, da sinalização e do calor, o Anime Friends continua sendo um evento que vale a pena para os fãs da cultura pop asiática.
Os estandes ofereceram boas promoções, permitindo que muitos visitantes aproveitassem para completar coleções ou adquirir produtos que normalmente têm preços mais altos fora da feira.
Sem contar as mercadorias exclusivas do evento, como a nova coleção de cartas da Hello Kitty lançada pela Panini.
No fim das contas, a experiência continua sendo divertida, cheia de descobertas e capaz de reunir pessoas apaixonadas pelo mesmo universo.
Há pontos importantes que precisam ser melhorados para as próximas edições, principalmente em relação à logística e ao conforto dos visitantes, mas isso não diminui o encanto que o Anime Friends proporciona.
Se você pretende ir à próxima edição, a dica é se planejar com antecedência, acompanhar a programação e chegar preparado para aproveitar ao máximo tudo o que o evento tem a oferecer.
O Anime Friends já tem data marcada para 2027.